terça-feira, 15 de janeiro de 2013

a quem caminha comigo

«Na amizade aceitamos de forma mais natural a diferença, uma certa distância que não vem considerada como obstáculo à confiança, mas, pelo contrário, é condição da revelação de si. Essa distância dá liberdade à pessoa para ser autêntica; purifica os amigos de toda a tentação de domínio.»
José Tolentino Mendonça, Nenhum Caninho Será Longo

terça-feira, 21 de agosto de 2012

coser

Lá em casa sempre foi proibido tocar na máquina de costura. Lembro-me de observar a agulha e imaginar o dedo cosido a linha. Este verão a máquina ali estava, ao acesso, agora sem barreiras - apenas as da memória.  Enfiar a linha, encher a canela, acertar pontos largos e estreitos, debruar. O espaço da Rosa Pomar é um mimo, entre tecidos e lãs parece que subimos (fica num segundo andar de inclinadas escadas de madeira) até um outro pequeno mundo - em que o fazer (com as próprias mãos) é ainda o mais importante.

(Fiz uma almofadinha de alfinetes, é claro que o T. lhe descobriu outra utilidade - tornou-se a  almofada para a sesta da tartaruga-amélia...)

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Em busca de flamingos...


Em busca de flamingos encontrámos garças, guinchos, pernas-longas, águias de asa redonda, andorinhas, garças. Uma árvore carregada de garças, brancas e serenas. Os flamingos, tranquilos pela nossa distância, continuarem caminhando sobre a água com movimentos de bailarinha. Hoje dei por mim a tentar reconhecer o cantos dos pássaros na cidade...












segunda-feira, 14 de maio de 2012

violetas

Já ouve um tempo em que tudo secava. Agora espreitam-me cheias de vida, e pergunto baixinho: estão felizes aqui?

vento e abismo

Uma nova versão de «O Monte dos Vendavais»? Não resisto, claro. Gostei da dureza da paisagem, importante para compreender a força da natureza nas próprias personagens. Lamacento, sempre sob uma forte neblica, chuvoso, e o vento claro. Como uma voz, o vento. Muito desesperada esta versão... Como uma obsessão até ao abismo.

Realização de Andrea Arnold.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

lendo, george eliot

«...sentia-se como se a sua alma se tivesse libertado do seu terrível conflito; já não lutava com a sua dor, mas podia tê-la ao seu lado como uma companhia constante e compartilhar com ela os seus pensamentos. Porque os pensamentos agora acorriam em grande número. Não estava na natureza de Dorothea deixar-se ficar, para além da duração de um paroxismo, na cela estreita da sua infelicidade, na aflição aturdida de uma consciência que não vê na sorte de outrem mais do que um acidente da sua própria sorte.

...
E decidiu que a sua dor sem remédio, em vez de tolher as suas forças, deveria servir para a tornar mais útil.»
George Eliot, «Middlemarch»

terça-feira, 13 de março de 2012

quotidianos


à sombra, tua,
encontro um silêncio de sol.

Tocas

Saindo da toca, a aventura do mundo (e até o encontro com um polvo).
Traço simples e poético de Anna Boulanger

Balonçar

Uma das boas descobertas do Ilustrarte 2012 - a ilustradora Kaatje Vermeire.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Chauvet
Caverna que já foi luz

Meio mágico (e muito poderoso) este mergulho numa caverna que já foi banhada por luz, em que homens desenhavam nas paredes. O tom narrativo de Herzog é um pouco repetitivo (e moralista), mas o seu documentário A Gruta dos Sonhos Perdidos (Cave of forgotten dreams) é uma oportunidade única para observar as mais antigas pinturas rupestres encontradas até hoje. Grutas Chauvet. O ideal seria ir lá, mas parece que o acesso só é permitido a investigadores pelo que é único o momento em que podemos observar o traço e expressão dos leões, mamutes, ursos... Se as imagens de Lascaux sempre me surpreenderam pela cor e expressividade de traço, aqui as imagens têm volume e movimento. Surpreeendente, mesmo. Há ali uma fronteira: de humanidade que nasce, de deus que toca. Como quisermos dizer. Mas uma marca muito forte de um ultrapassar de uma mera sobrevivência para uma vital necessidade de expressão.

Filme/ documentário
Título: A Gruta dos Sonhos Perdidos
Realizador: Werner Herzog

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Bolinhos de chocolate

Tudo a olho

1 taça de açucar
6 ovos
manteiga derretida
1 taça de farinha
1 pacote em pó de chocolate

Misturar, mexer, colocar em pequenas formas em forno aquecido.
Deixá-los crescer. Tirar do forno, deixar arrefecer num tabuleiro de madeira e cobrir de chocolate derretido

O ingediente especial: T.
Enquanto mexia-e-mexia pensava no pequenito que no dia seguinte fazia quatro aninhos.
E não é que ficaram uma delícia...



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

«O livro do sapateiro»

Um domingo vagueante. Uma livraria pequena onde encontro o pequeno livro de Pedro Tamen. O dia torna-se grande, a casa enche-se do meu silêncio, apenas porque em mente sigo este sapateiro poeta no seu labor e me deixo preencher da sua simplicidade.





«Por esta cave deserta
entram hálitos e ruídos,
verdes montanhas, cascata,
um rio de água de Verão.

Estou só eu e o martelo
e a minha mão operosa,
ou estará não sei que mundo
com a palavra ou sem ela?

E eis-me então adivinho
dos mistérios que atravessam
o janelo onde perpassa
a luz que mal me ilumina

e é o sal do meu pão. » - Pedro Tamen, O livro do sapateiro

«Penso no que de parte pus
no que afastei de sobras, desperdícios, peles,
cordas, colas, pregos, pragas
no dedo martelado

e sei agora
(ah, e quanto tempo passou
como a água da ponte
que vai a não sei onde!)
que o que de lado pus
era isso mesmo a ponte,
ponte para este concreto,
pobre mas definido,
sapato de quem o queira. » - Pedro Tamen, O livro do sapateiro

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

recorte de jornal

Ando há um tempo com este recorte de jornal na mala. Foi publicado, lido por aí, mas acho, creio que (talvez) só eu o tenha lido. Crença estranha esta. Fala de uma cidade algures na Bretanha em que a maior parte da pessoas vive do comércio livreiro. 750 habitantes, 1 padaria, 2 cabeleireiros, 18 livrarias. Bécherel é o seu nome, uma pequena vila medieval, conhecida como a Cidade do Livro. Como me fez viajar esta imagem de uma livraria na Bretanha... E se a partir de um recorte de jornal toda uma nova história acontecesse?

terça-feira, 13 de setembro de 2011

três livros

Ando ainda com três livros em mente. «O Assédio» de Arturo Pérez-Reverte foi um impulso. Estava desejosa de um pouco de aventura e história. Adoro como ficamos a conhecer as ruas de Barcelona do séc. XIX, mas neste livro Pérez-Reverte quis um pouco mostrar algo... Gosto mais da simplicidade e inteireza de «O Pintor Batalhas» - curto, com tudo o que é preciso para falar da natureza humana. «O Último Livro» foi uma consequência da pequena delícia de «A Biblioteca». E depois Liudmila Ulistkaia, uma solidez que me faz pensar em como gosto de romance e como os escritores russos me prendem, seja ou não um lugar comum dizê-lo. «O Caso Kukótski» atravessa a Rússia da revolução, mas através das pessoas. O retrato é profundo, duro - a fazer-me pensar, lá está, em Tchekov e as histórias que tudo parecem revolucionar, mas que acabam por nos levar a um circular desamparo do humano.

cheiro a mar

A vida tem acontecido fora deste espaço. É um pouco antipático dizer isto, mas nem sempre tenho conseguido voltar aqui. Gosto tanto do último post que nada me tem parecido mais enternecedor do que o olhar curioso dos meninos sobre mim. Neste dias (de escassa chuva, começo a secar sem esta pinga de chuva), foi feito em caminhadas, arrumações, planos que adio, e pequenos nadas que me tomam de mansinho. À amyau trouxe um pouco de cheiro a praia...